sábado, 26 de junho de 2021

Terapeuta Ocupacional Diane Mukaz Domingos indica "menos presentes e mais presença" para o desenvolvimento das crianças

Coordenadora do Curso Parto Amoroso em Curitiba-Brasil entrevistou a Terapeuta Ocupacional Dra Diane Mukaz Domingos em Luanda-Angola durante live com record de público


Em uma live que bateu record de público, a terapeuta ocupacional Dra Diane Domingos, diretamente de Angola, Africa, falou sobre o papel da terapia ocupacional da primeira infância, exaltando a importância da presença dos pais para o desenvolvimento dos bebês nesta fase da vida. 

Com muita simpatia e vasto conhecimento no assunto, a convidada explicou que a presença dos pais junto da criança, com afeto e comunicação no dia a dia, é fundamental para que ela possa se desenvolver em plenitude.

A visão, o tato e a audição são os sentidos mais desenvolvidos no bebê em seu primeiro mês de vida e cabe aos pais estimulá-los diariamente. Por exemplo: quando a mamãe vai amamentar seu bebê, deve focar nele, no contato olho-no-olho (VISÃO), pele-com-pele (TATO) conversando, cantando, dizendo palavras de carinho (AUDIÇÃO). O pai pode acariciá-lo, conversar com ele, olhar para ele sempre que estiver presente, estimulando seus sentidos.

Do segundo mês em diante, é hora de dar início à estimulação do desenvolvimento de aspectos motores no bebê. Ele pode ser colocado de barriga para baixo em um tapete e os pais podem realizar atividades com ele neste tapete. Por exemplo: papai senta no tapete de frente para o bebê e apresenta um brinquedo para ele ver e tentar pegar. Conforme os meses passam, deve fazer movimentos para que sejam acompanhados pelos olhos, depois pelo pescoço e depois pelo corpo todo, movendo-se e interagindo ao máximo.


Mais importante que o Brinquedo é o Brincar

Até os 7 meses de idade, a visão dos bebês ainda é um pouco embaçada, por isso aconselha-se o uso de brinquedos nas cores branco e preto. Podem seu feitos de pano, leves, sem pontas, tudo com muita segurança. Muitas mães / avós fabricam os próprios brinquedos: bola, cubo, etc, de preferência, sem barulhos. Ao brincar com o bebê, movimento, interesse e cognição são aspectos que podem ser trabalhados.

Antes de oferecer objetos, o principal para um bebê é oferecer afeto. Laços afetivos com o pai e a mãe nesta fase de 1 a 12 meses serão indissolúveis, mas precisam ser formados neste período. Por isso, é tão verdadeira e a máxima que diz: menos presente e mais presença.

Os pais devem ser os primeiros brinquedos das crianças. O segundo brinquedo que os pais devem comprar para o bebê é o tapete para que possam com ele brincar.

Também é muito importante cantar para o bebê. Ter tempo de qualidade com ele. Nos primeiros meses o bebê dorme muito, mas quando acordar, o tempo deve ser repleto de beijo, carinho, massagem, cócegas, entre outras manifestações de afeto. 

Muito antes de apresentar brinquedos para os bebês, deve-se dedicar seu tempo e afeição a eles, com brincadeiras. Crianças só aprendem a brincar quando brincam e os pais é que devem ensiná-los a brincar.

Brincar é coisa séria. Constitui o maior vetor de desenvolvimento para as crianças. Criança que não brinca provavelmente apresentará atrasos na aprendizagem. A presença dos pais na brincadeira, além de contribuir para o desenvolvimento da criança, vai fortalecer o vínculo afetivo.


Brincadeiras desenvolvem os sentidos e a cognição

Mamãe pode usar uma esponja para estimular o tato e desenvolver a "pega" com as mãos. Pode estar seca ou molhada, com diferentes tamanhos. Também pode colocar tinta (que seja compatível com a pele da criança) na esponja e colocar o pé ou a mão transformando-os em "carimbos" para pintar em telas ou panos. Tecidos de diferentes texturas também podem ser utilizados. Colocar os pés/mãos em um recipiente com grãos, algodão, diferentes tipos de superfícies também estimulam o reconhecimento do mundo através do tato.

Cantar, contar histórias, conversar, mostrar objetos e dizer seu nome, elogiar, sempre com foco na criança, estimula sua audição e atenção ao ambiente.

Se o bebê joga tudo no chão para a mãe pegar, ela deve usar isso não para ficar irritada, mas sim como uma brincadeira para instigar outros aspectos cognitivos na criança. Pode desafiá-lo a jogar mais longe ou acertar em determinado lugar ou jogar também com diferentes movimentos. Sempre estimulando o crescimento de habilidades da criança. 

Aspectos afetivos e emocionais também podem ser trabalhados, sempre através de brincadeiras. Os pais devem aproveitar as oportunidades para estimular todos os aspectos de desenvolvimento o tempo todo, pois a fase de primeira infância passa muito rapidamente e não volta mais.

 

Aprendizado depende do meio

O aprendizado é intrínseco, mas o meio precisa ser enriquecido. Há atraso de aprendizagem quando há pobreza de estímulos. Enquanto estiver em contato com o bebê, mamãe e papai devem conversar com ele, estimulando-o ao máximo a olhar, ouvir e sentir.

Na primeira infância o cérebro funciona como uma "esponja", absorvendo todos os estímulos. Em ambientes enriquecedores, há garantia de melhor desenvolvimento desta criança. 

A mãe (ou o pai) deve cantar para seu bebê, diferentes canções, sempre olhando em seus olhos, também pode ler histórias, contar coisas, falar o nome dos objetos, incentivá-lo e aplaudi-los a cada nova descoberta, enfim, torná-lo parte do dia a dia da família, sempre com muito afeto e positividade.

Quando a família descobre que o bebê é portador de uma patologia, a mãe acaba calada, com muitas preocupações e, muitas vezes, deixa de praticar este tipo de estímulos. Mas, ao contrário: ela deve continuar a cantar, conversar, brincar, e demonstrar todo tipo de afeição para que não haja atraso no desenvolvimento da criança. É difícil aceitar esta dor, mas esta fase de desenvolvimento não tem volta, por isso não pode ser neglicenciada.


Plasticidade Cerebral

A melhor fase de desenvolvimento da plasticidade cerebral é na primeira infância. Em geral, as crianças seguem, basicamente esta "tabela", que são janelas ou marcos do desenvolvimento:

  • 1º mês: contato ocular
  • 2º mês: extensão cervical e tronco
  • 3º mês: sorriso
  • 4º e 5º mês: sentar
  • 9º mês: engatinhar
  • 10º mês: em pé
A mãe nem sempre percebe um atraso. Deve ver os marcos de desenvolvimento padrão, conforme as tabelas dos pediatras. Agora, com a pandemia, fica muito difícil reunirem-se com outras mães e observar o desenvolvimento de outros bebês da mesma idade para poder comparar. Por isso, é importante que estejam atentas e, caso percebam algum atraso, devem procurar um especialista.

O tempo de resposta a um determinado estímulo vai dizer muito sobre o desenvolvimento da criança. Segundo a Dra Diane, "a mãe sempre sabe" pois percebem ao amamentar, ao ninar ou ao brincar com a criança e os profissionais devem ouvi-las com carinho e atenção. 

Um exemplo ilustrou bem este tema: 
O bebê que não foi estimulado a ficar de barriga para baixo e a desenvolver a extensão com os braços poderá ter dificuldade de engatinhar ou não engatinhar. Este bebê que não engatinha poderá apresentar dificuldade mais tarde quanto ao equilíbrio, coordenação bi-manual como uso de garfo e faca, uso de tesoura, uso de caneta/lápis para escrever. 




Importância da Terapia Ocupacional - TO

Estimulação Precoce é o conjunto de todas as estimulações que ocorrem na primeira infância para garantir o desenvolvimento motor e cognitivo da criança. A importância da TO - Terapia Ocupacional não é somente para reabilitação, restauração, adaptação, mas também funciona como prevenção.

O profissional de TO deve estimular os pais a estimular seus filhos, mas muitas vezes percebem que os pais não foram devidamente estimulados quando crianças. "Há papais que não sabem brincar, por isso não brincam com seus bebês. Eles não aprenderam", relata a terapeuta  Dra Diane. 

Segundo ela "nada há que está no cérebro que não tenha entrado pelas vias sensoriais", daí a importância do estímulo aos bebês durante a primeira infância.

Brincar é a principal atividade laboral das crianças. Através do brincar, elas terão a oportunidade de desenvolver seus aspectos motores, sensoriais e emocionais. A família deve estabelecer uma rotina com muita riqueza de estímulos, diariamente, através de brincadeiras e da presença "de fato" dos pais. 


Para assistir esta live:

@cursopartoamorosogestante



Para contatar a terapeuta ocupacional Dra Diane Mukaz Domingos:

@diane.mukaz.domingos

Clínica Reabilitary



terça-feira, 15 de junho de 2021

Varizes & Gestação - tema muito importante para as futuras mamães

A coordenadora do Curso Parto Amoroso Rossana Franke de Oliveira conduziu o bate papo com a médica Anna Carolina Botti Oliveira, esclarecendo muitas dúvidas que surgiram no chat durante a live


No último dia 11 de junho, a cirurgiã vascular Dra Anna Carolina Botti de Oliveira participou da live semanal do CEMUC, apresentada pela coordenadora do Curso Parto Amoroso, a fisioterapeuta Rossana Franke de Oliveira.

Com larga experiência, Dra Anna respondeu às perguntas com muita segurança, como cirurgiã e também como mãe de duas crianças, a respeito do tema: varizes & gestação. Iniciou o bate papo falando sobre as alterações causadas pela gravidez no corpo da mulher. Dentre elas, focalizou na área hormonal e na área vascular. 

Na parte hormonal, explicou que a progesterona, que é o "hormônio do aumento" é o responsável pelo aumento do útero, da barriga, dos músculos, das mamas e dos vasos sanguíneos, que vão dilatar. 

Surpreendeu ao afirmar que até o pé da futura mamãe pode aumentar, pois dilatam os tendões. Falando em pé, a médica ressaltou que na gestação o salto recomendado é até 5 cm, pois além da maior dificuldade do eixo de equilíbrio corporal pelo peso na barriga, a panturrilha precisa funcionar. Em saltos muito altos, perde-se a mobilidade da panturrilha, prejudicando o retorno venoso, podendo originar varizes. 

No sistema circulatório, haverá também um impacto devido ao aumento do volume sanguíneo para que a nova vida seja gerada. Na gestação, o volume de sangue é em torno de 3 vezes mais que o normal. Este "aumento" de vasos + volume de sangue, poderá resultar em aumento de varizes de quem já as tem ou no aparecimento em quem nunca teve. 


O que são varizes

Varizes são vasos dilatados que, por consequência, ficarão tortuosos e insuficientes. Dentro deles, as válvulas passam a ter dificuldade de "empurrar" o sangue para cima, por que estão muito longe entre si em virtude da dilatação do vaso e devido ao grande volume de sangue não conseguindo "empurrá-lo", tornando esta dilatação cada vez maior. 

O sangue é bombeado para fora do coração e desce para as extremidades do corpo. Chegando lá, precisa voltar. Este retorno de sangue é prejudicado se as válvulas não trabalharem direito e aí começam a se formar as varizes.

Além das pernas, varizes podem aparecer em outras regiões do corpo: região anal (hemorroidas), região pélvica (perto do útero), região inguinal (virilha), região da vulva , entre outras. Há locais que não são visíveis e popularmente são chamados de "varizes internas" - estes são capturados através de exame de imagem.

Os principais sintomas das varizes são: inchaço, dor, sensação de cansaço e peso nas pernas, melhor em movimento do que a perna parada, calor, podendo evoluir para câimbra.

Mulheres têm mais chance de desenvolver varizes: em torno de 3 mulheres para 1 homem.


Causas das varizes

Sedentarismo, cigarro, bebida alcoólica, obesidade alterações hormonais são fatores de risco para o aparecimento de varizes. Infelizmente, o maior fator de origem de varizes, é o DNA. Elas são uma herança genética, com 80% de chances dos filhos herdarem dos pais. 

A gestação também acaba complicando ainda mais as varizes, por conta da progesterona e da veia cava. Esta veia está localizada na barriga, do lado direito do corpo. Na gestação, um útero dilatado + um bebê sentado em cima dela resulta em pressão para baixo. Por isso, é aconselhável que a mamãe  deite do lado esquerdo, para aliviar a pressão. Isso ajudará no retorno do sangue, pois fará uma descompressão. 


Quando tratar as varizes: antes ou depois da gestação? 

Pacientes que já possuem sintomas, refluxo e/ou varizes devem ser tratadas antes da gestação, pois durante a gestação isso vai piorar.

Paciente que tem apenas vasinhos, deve esperar para fazer o tratamento após a gestação.

É interessante fazer uma consulta com um vascular para avaliação.



Complicações das Varizes

Varizes não tem cura, mas tem controle. O acompanhamento anual com um vascular é indispensável, especialmente se há histórico de varizes na família. É uma doença crônica, ou seja, tem evolução e pode complicar.

O exame clínico e de imagem, através de ecodopler, dará o diagnóstico - se tem varizes ou não, qual o calibre, qual a real situação da circulação da paciente. É indolor, não tem radiação nem é invasivo. Pode ser feito em gestantes, sem problemas.

Podem ocorrer complicações das varizes, como flebite e trombose.

Flebite: A flebite é uma inflamação das varizes - forma um cordão vermelho na perna. Quando é muito protuberante, pode acontecer de sangrar quando a pessoa bate a perna e a pele arrebenta. Neste caso, há a possibilidade de abrir uma ferida, que pode aumentar e formar uma úlcera, que pode durar anos e anos sem fechar. 

Manchas: Em decorrência do volume de sangue que não consegue subir, podem aparecer manchas escuras nas pernas, formadas pelo componente M do sangue, que tem a cor marrom e vai extravasando para a pele, causando manchas.

Trombose: A trombose é a formação de um coágulo no sangue (trombo) que obstrui ou dificulta a circulação de um vaso sanguíneo qualquer. A depender do local afetado e da extensão do quadro, os sintomas da trombose envolvem inchaço, vermelhidão, limitação de movimentos, dor, etc. Pode ocorrer que um desses coágulos se desprenda e "viaje" pelo corpo,  podendo causar tromboembolismo pulmonar ou mesmo um AVC.

Por isso é tão importante haver uma acompanhamento anual com um vascular.



Dicas da Vascular para as Gestantes  

Em geral, 80% das gestantes terão algum tipo de edema durante a gestação. Os inchaços deverão aparecer a partir do segundo trimestre da gestação. No terceiro trimestre, varizes podem surgir e quem já as tem, terá mais desconfortos, podendo até haver complicações. 

Após o parto, o organismo da mamãe, que estava acostumado com muito líquido, precisa dar vazão a tudo isso e é bem comum que haja demora nesta adaptação, causando um grande inchaço nas pernas, pés e tornozelos por alguns dias após o parto (mesmo que a mamãe não tenha inchado durante a gestação). 

Por isso, aqui vão algumas dicas preciosas:

- Se a futura mamãe precisar ficar de barriga para cima, por conta de azia ou outra dificuldade, deve tomar cuidado para não comprimir a veia cava. Neste caso, deverá colocar um travesseiro alto, de preferência em forma de cunha, que encaixa no seu tronco. 

- Gestantes que vão viajar devem usar meia compressiva para evitar trombose. Há meias específicas para viagem no mercado que o vascular pode indicar.

Além disso, as dicas de ouro são:

- Controlar o peso durante a gestação

- Fazer repouso diário com as pernas para cima

- Consumir muita água e fibras para evitar "intestino preso" e hemorroidas

- Não usar sapatos/meia apertados

- Fazer atividades físicas, de preferência na água - além de não ter impacto, a pressão hidrostática da água auxilia em favor da gestante

- Fazer drenagem linfática - que vai drenar o acúmulo de líquidos 

- Usar de medicação, tanto via oral como tópica, indicada pelo médico vascular

- Usar meia, indicada pelo médico vascular

Há vários tipos de meia, com diferentes tamanhos, que devem ser escolhidas de acordo com cada gestante, sob orientação médica. Há meias até o joelho (que auxiliam em torno de 80% do retorno), até a coxa ( 90%) e na barriga (quase 100%).  Há também meias de diferentes cores, diferentes materiais (hipoalergênicas), específicas para esportes, específicas para verão / inverno, entre outras possibilidades. 

Mulheres que ficam muito tempo em pé ou muito tempo sentadas ou que apresentam sintomas de cansaço / dor nas pernas devem procurar um vascular para indicar uma meia sob medida.  


Para assistir a esta live novamente:

https://www.instagram.com/p/CP_ltQ6Fy3Y/


Para contatar a Dra Anna Carolina Botti de Oliveira:

@annacarolbotti.vascular

https://www.instagram.com/annacarolbotti.vascular/


Consultório:

Clínica Competenza Medicina Especializada

competenza.med.br

Rua Visconde do Rio Branco, 1488 - sala 611 - Centro - Curitiba - PR

Fone: (41) 98427-6683



sexta-feira, 4 de junho de 2021

Doação de medula óssea: ninguém é tão pobre que não possa doar, nem tão rico que não precise receber

Jaqueline Morcelli, Juliana Pereira e o pequeno Davi participaram da live sobre doação de medula óssea promovida pelo CEMUC, sob o comando de Rossana Franke de Oliveira


A live do dia 04 de junho de 2021 promovida pelo CEMUC tratou do tema: doação de medula óssea e teve como convidadas Jaqueline Morcelli, biolóloga do HEMEPAR - Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná e Juliana Pereira, designer, mãe do Davi, criança com 5 anos que está em tratamento de leucemia e em fase de busca de doador de medula óssea.

A mamãe Juliana contou que o Davi até 2 anos e 9 meses era uma criança normal. Num belo dia apareceu uma íngua debaixo da orelha. Ela fez o exame no mesmo dia no hospital Pequeno Príncipe e no dia seguinte já recebeu a ligação do hospital chamando para uma punção da medula, que estava com 87% de blasto. Imediatamente foi iniciado o tratamento, seguindo os diferentes protocolos, inclusive quimioterapia e ele melhorou. Quase três anos depois apareceu inchaço nos testículos que acusaram a recidiva (reaparecimento) da doença. Muito provavelmente ele precisará de um transplante de medula óssea para ser curado.

Jaqueline Morcelli esclareceu que medula óssea é um líquido esponjoso que está no interior dos nossos ossos. Ela produz as células sanguíneas e as joga em nossa corrente sanguínea. É a produtora de células- tronco. Explicou que "muita gente tem medo de se cadastrar para doação porque confunde medula óssea com medula espinhal (que é um tecido nervosos que está dentro da nossa coluna). Acham que será retirado líquido da medula espinhal e ficarão paraplégicos... ledo engano. A medula óssea está dentro dos nossos ossos, bem longe da medula espinhal."

No caso do Davi, as células são jogadas na corrente sanguínea antes de estarem prontas (ainda imaturas) - são os blastos - que causam a leucemia. (LLA). Aqui no Brasil, a resposta aos tratamentos deste tipo de câncer é na base de 70% de chances. Em países mais ricos, é de 80%. Em países pobres não passa de 20%. Por isso as chances dele são grandes.

Desde que recebeu o diagnóstico, o Davi recebe a quimio via catéter. Ele está seguindo o protocolo: 1 semana em casa, 1 semana no hospital. A quimio mata as células doentes, mas também as saudáveis, por isso a imunidade dele é muito baixa. Não pode comer nada de fora (só comida caseira), a higienização é muito forte, não pode comer quase nada cru... são muitos cuidados por conta de sua baixa imunidade.

O transplante de medula óssea é a substituição de uma medula doente. O paciente vai receber uma altíssima dose de quimio para "matar" a medula dele e será inserida uma nova medula em seu corpo.

Dependendo da doença, essa nova medula pode ser do próprio paciente. Neste caso, não apresentará problema de compatibilidade. No caso da leucemia, isso não é possível. A medula doadora pode ser advinda um familiar (50% de chance do pai e 50% de chance da mãe). Chance de irmão ser compatível: 25%. Se não tiver irmão compatível, a busca é na família, cuja chance é em torno de 5%. Se não encontrar, a busca passa para o banco REDOME - Registo Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea e também pode ir para busca em bancos internacionais. Hoje no Brasil, 30% dos transplantes não aparentados, vem de bancos internacionais.

Cada um que se cadastra passa a fazer parte deste REDOME. O Brasil é o 3º maior banco do mundo - Nos Estados Unidos são 8 milhões de doadores. Na Alemanha são 7 milhões. Em seguida vem o Brasil com pouco mais de 5 milhões de pessoas cadastradas como doadores.


Tipos de Doação

A bióloga Jaqueline explicou que há três tipos de doação:

1- Sangue do cordão umbilical - hoje há 13 bancos no Brasil. Guarda-se o sangue do cordão umbilical para um possível uso no futuro, porém a manutenção deste material é é muito cara, por isso a tendencia é diminuir esta forma de doação. 

2- Punção: neste procedimento de doação, o doador é anestesiado em centro cirúrgico e são feitas punções - em torno de 8 furinhos do osso hilíaco (da bacia). É o procedimento mais utilizado no Brasil. 

3- Sangue periférico - é similar a uma doação de sangue - o doador toma um medicamento por 5 dias que aumentará a produção de células-tronco dentro da sua medula, que são lançadas na corrente sanguínea e a doação é feita a partir de uma punção no braço, numa técnica chamada aferese - o sangue passa por uma aparelho, o componente sanguíneo que se necessita é separado e removido e o restante volta para o doador.  

Cabe ao doador escolher como quer doar: por punção ou sangue periférico. 


Compatibilidade

Para saber se uma pessoa é compatível ou não, é feito um teste HLA - dá um resultado genético tanto do doador como do paciente. O resultado do doador vai para o REDOME. O resultado do paciente vai para o REREME - Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea.  A busca tenta dar um "match" para ver se pode dar seguimento a esta doação. O ideal é ter 100% de compatibilidade. 


O Dia a Dia de uma criança a espera de doação de medula óssea

Como é o dia a dia do Davi no hospital? Segundo a mamãe Juliana, cada vez que vai para o hospital, o Davi leva os seus bonecos, lápis de cor, tintas, embalagens para montar estruturas, como "casas para lagartixas", mas na maior parte do tempo, ele precisa ficar parado (por causa do cateter, recebendo soro e medicação). Então dedica muito tempo assistindo vídeos. 

Também recebe visitas no hospital, com quem ele gosta de conversar. A mamãe prepara 3 mochilas para que ele tenha novidades o tempo todo durante o período de internação no Hospital Nossa Senhora das Graças, onde faz o  seu tratamento. Com apenas 5 anos de idade, ele já entende sua real situação e quer sempre saber a verdade: quantos dias ficará no hospital, quantos dias poderá ficar em casa, qual o tamanho da agulha, entre outras perguntas, que a mamãe faz questão de responder.

Segundo Juliana, "é uma rotina intensa, precisa de muita criatividade e dedicação da mãe e de toda a família para que o tempo passe com base na verdade e no amor. "

Durante a live, que aconteceu enquanto Davi estava no hospital, ele apareceu para mandar beijo a todos, em um momento de muita ternura e emoção.


Quantidade e perfil de doadores

Segundo a bióloga Jaqueline Morcelli, do Hemepar, "hoje há 850 pacientes aguardando um doador compatível. Por isso é necessário ter mais doadores".

De 18 a 54 anos e 11 meses é a idade para ser doador de medula óssea. 5.350.000 doadores cadastrados no REDOME. Em 9 anos, vai-se perder 1 milhão de doadores. Ficam no REDOME até 60 anos de idade. Na pandemia houve uma queda de 40% nos cadastros de doadores, pois era possível fazer a coleta em universidades e empresas. 

O padrão de cadastro no REDOME é 70% de mulheres brancas. Muitas pessoas se cadastram e nunca são chamadas. É necessário ter um receptor compatível, que é de 1 para 100.000. Há casos de pessoas que já puderam doar duas vezes. Outros jamais conseguirão ser chamados. Se for compatível, o hemocentro vai entrar em contato por telefone para que a pessoa volte e faça um novo teste para confirmar a compatibilidade.

Em 2016, em Curitiba e Região Metropolitana, foi-se perdido 38 doadores compatíveis, que não foi possível encontrá-los por causa de telefones. Após a entrada do hemocentro nas redes sociais, isso diminuiu muito, porém, mesmo assim em 2020, 4 doadores não conseguiram ser localizados. Pessoas mudam de celular, email, endereço, etc, por isos é muito importante atualizar os dados cada vez que um deles muda.

Para atualizar os dados: basta entrar no google e digitar - atualização de dados no redome


Fatores que dificultam a doação

Um dos fatores é mistura genética que é muito grande aqui no Brasil, por isso é muito mais difícil de conseguir medulas compatíveis.

O segundo fator é a falta de atualização cadastral é outro fator que dificulta a doação. O REDOME fica a procura da pessoa, que mudou de telefone, endereço, etc e não consegue contato.

Para atualizar os dados: basta entrar no google e digitar - atualização de dados no redome

O terceiro fator é o arrependimento. É comum a pessoa se cadastrar num determinado período e depois se arrepender. Ela faz o cadastro para tentar ajudar um amigo ou parente que precisa. Os anos passam quando é chamada, tempos depois, para ajudar outra pessoa, não quer mais doar.

O quarto fator é a família. Muitas famílias, por desconhecimento sobre o assunto, acham que a pessoa não deve doar e passam a pressioná-lo a não fazer.

O quinto e pior fator é cadastro fake. Pessoas se cadastram, apenas para ter vantagens, como por exemplo, não pagar inscrição em concursos públicos. Dão dados falsos e jamais serão encontrados, no caso de um match. Por isso o HEMEPAR, o REDOME e outras entidades sérias são contrárias a qualquer tipo de vantagem para doadores.


Como é feita a coleta para a pessoa ser candidata a doação

Para ser um candidato à doador, a pessoa deve ter idade entre 18 a 54 anos, 11 meses e 29 dias. Deve entrar em contato com o HemeparO cadastro para doação independe de agendamento. O horário de atendimento é das 08 às 18h.

Ao chegar ao Hemepar, o doador irá preencher um cadastro e será coletada uma amostra com apenas 4 ml de sangue. Este sangue vai receber um código (HLA) que será inserido no REDOME e ficará lá até que este doador complete 60 anos de idade. 

A cada candidato novo para doação de medula óssea, vai-se buscar nos arquivos REDOME para ver se há compatibilidade. É preciso esclarecer que não existe um banco de medula, mas sim um banco de sangue com um código - HLA. Se nas buscas, der "match", esta pessoa será contactada para voltar ao Hemepar ou outro banco e fazer novos exames para, só depois disso, poder doar a medula óssea.  

Não há custo para o doador. Se ele estiver em outra cidade ou país, quem viaja é a bolsa com o líquido. Se, por acaso, ele precisar viajar, todos os custos serão cobertos. 

Outro esclarecimento importante é que a doação não é dirigida para determinada pessoa. Ela será para quem for compatível.

No mundo ocorrem cerca de 300.000 casos de leucemia por ano. O Davi é um desses casos. A mãe Juliana está passando por isso com o apoio da família, dos amigos, seguindo a vida, com uma grande rede de apoio. Na 1a. semana, quando soube do diagnóstico, ela chorou muito. Três anos de tratamento, a cura havia chegado e não tinha consciência de que a doença talvez pudesse voltar. Quando a leucemia voltou, ela se sentiu muito abalada, mas sua fé a tem sustentado e suas palavras durante a live e mesmo no dia a dia têm sido sempre inspiradoras e motivadoras para outras mães que passam por este desafio.


Como é feito o transplante

Há duas maneiras de fazer o transplante de medula óssea:

1- Se for por punção na medula, é feita em um centro cirúrgico e o doador passará um dia no hospital. Durante o procedimento, não sentirá qualquer dor, pois estará anestesiado, com anestesia geral.  Após o procedimento, nos primeiros dias, a dor que irá sentir é como se estivesse caído sentado, de bunda no chão. Em 15 dias sua medula estará 100% normal novamente e poderá até doar de novo, se aparecer mais um doente compatível. Também não deverá sentir mais dor. Apesar da agulha ser grande, que perfura o osso, isso passa logo. O único risco é o da anestesia.

2- Se a doação for por sangue periférico, o procedimento é igual a um exame de sangue.


Custos

Dra Jaqueline reforçou a informação de que o doador nunca vai gastar um centavo em nada. Caso precise se deslocar, a ele é pago taxi, viagem, acomodação para si e seu acompanhante, hospital, exames, ou seja: tudo. Se for um profissional liberal, é dado, inclusive, uma ajuda de custo pelo período em que ficou se trabalhar. Concluiu dizendo que "a gente é feliz quando pode salvar uma vida e fazer o bem para uma família e para isso não há dinheiro que pague".


Vida após doação

Um ano e meio após a doação, caso os doador e receptor concordem, é possível que eles se conheçam. Este momento é sempre muito emocionante. O doador, após receber a doação, muda tanto que, às vezes, pode mudar o cabelo e até o seu tipo sanguíneo, entre outras muitas mudanças. A pessoa que doou cria um laço para sempre com o receptor. 

Antes da pandemia, o Hemepar promovia anualmente uma festividade de encontro entre os doadores e receptores, celebrando este momento inesquecível para todos os envolvidos.


Para encerrar esta live, a mamãe Juliane deixou uma linda mensagem para todos, dizendo que doar é um ato de amor e que é necessário amar cada vez mais. 

Ninguém é tão pobre que não possa doar, nem tão rico que não precise receber, por isso, doe medula.


Cadastro para ser doador:

O cadastro para doação independe de agendamento no HemeparO horário é das 08 às 18h - idade: 18 a 54 anos, 11 meses e 29 dias. Para mais informações, ligue: 0800 645 4555

 

Para assistir esta live novamente:

https://www.instagram.com/p/CPtjUl_FA4r/